Antes de Star Wars e História de um Casamento, Adam Driver era um soldado americano, e seu primeiro contato com a fama de Hollywood foi através da série ‘Girls’. O coprotagonista de Scarlett Johansson e indicado ao Oscar fala sobre por que ele adorou trabalhar com Martin Scorsese e Spike Lee, e por que ele é grato à Lena Dunham.

Tradução por: Cíntia Alves
Texto original de Style Magazine

Depois dos aclamados papéis em Star Wars, Girls e História de um Casamento juntamente com a estrela de Hollywood Scarlett Johansson, o vencedor do Emmy e indicado ao Oscar Adam Driver, que completa 37 anos no dia 19 de novembro, reflete sobre a vida como fuzileiro naval e a falta de naturalidade da fama.

“A produção de um filme tem algo em comum com uma missão militar: você tem que passar tempo com pessoas que não conhece e há um tipo de intimidade forçada nisso.” – Adam Driver

O que o seu papel em Girls fez com ele

“Em pouco tempo, eu estava ciente de que as pessoas estavam muito interessadas na série. De repente, eu estava sendo reconhecido e tinha pessoas na rua querendo me cumprimentar ou apenas falar comigo sobre isso; também notei que muitos dos meus amigos estavam me tratando de maneira diferente porque acompanhavam do sucesso de Girls e de como as pessoas estavam falando a respeito dela.

“Estou muito grato pela forma como – Girls – me abriu novas portas e estou tentando aproveitar cada oportunidade. É claro, sou muito grato à Lena Dunham que me convenceu a assumir o papel quando eu não tinha certeza se estava interessado em trabalhar na TV. Fico feliz que ela não me deixou em paz”.

Mesmo que Star Wars tenha alavancado a sua carreira, ele continuará a fazer filmes indie

“Meu plano não é outro, senão fazer um trabalho interessante. Não importa se trabalho em projetos grandes ou pequenos, e sempre me aproximo de cada filme a partir da perspectiva do que a história tem a oferecer. Às vezes, um filme com um orçamento maior estará contando uma história muito íntima ou lhe dará a chance de explorar um personagem tão intensamente quanto um filme de baixo orçamento. Eu olho cada projeto através dos olhos do personagem e que tipo de significado eu posso trazer para o papel.”

Ser militar influenciou a sua carreira de ator

“Ser um soldado influenciou minha maneira de atuar em termos de perceber como o compromisso de cada membro de uma equipe é fundamental para o resultado final, afinal, a produção um filme tem algo em comum com uma missão militar: você tem que passar tempo com pessoas que não conhece e há um tipo de intimidade forçada nisso.

Há também um outro paralelo entre o set de filmagem e o exército, você tem um líder que está acima dos outros e o dirige. Todo mundo tem uma tarefa e precisa cumpri-la; caso contrário está perdendo tempo e energia, e isso pode levar ao fracasso da missão, o que pode ser prejudicial ou até perigoso, no caso dos militares.

Também acho que meu treinamento militar e a disciplina que vem dele tem sido muito útil para mim como ator. É a forma como você aprende a se integrar em uma equipe e se subordinar a algo por um objetivo maior. Em nenhum outro lugar, aprendi que o esforço conjunto é sempre mais eficaz do que ir sozinho como no exército. Há um senso de comunidade e propósito compartilhado que é mais importante quando se trata de fazer filmes do que a auto-realização artística de cada um”.

Ele é sério e determinado no set

“Eu, provavelmente, me envolvo muito com o trabalho e, às vezes, eu surto e enlouqueço as pessoas ao meu redor. Eu sou muito exigente comigo mesmo. No anseio de fazer cada cena melhor, sei que provavelmente vou longe demais às vezes, acabo pressionando demais a mim mesmo e aos outros. Estou tentando ser mais relaxado, menos intenso, até porque sei que é cansativo e que existem maneiras melhores de trabalhar. É o meu lado militar exagerando!”

O que mais o interessa na hora de escolher papéis ou projetos, é o desejo de trabalhar com grandes diretores

“O personagem geralmente está em segundo plano. Não é importante para mim se a história é muito diferente de um filme anterior que eu tenha feito, ou se o personagem é parecido com os anteriores que eu interpretei. Se há algum padrão nas minhas escolhas artísticas, isso aconteceu inconscientemente.

O filme é meio de comunicação de um diretor, por isso é lógico querer filmar com os melhores diretores. Por isso, tem sido muito gratificante para mim trabalhar com cineastas incríveis como Martin Scorsese e Spike Lee, ou Steven Soderbergh e Jim Jarmusch, cujo trabalho eu admiro desde criança.”.

A fama não mudou sua forma de trabalhar

“Eu não sei se algum dia vou entender ou me sentir confortável com a fama, porque é – como você pode imaginar – uma forma não natural de estar no mundo. É um pouco antitético para o meu trabalho. Meu trabalho como ator é viver a vida e cometer erros, e não me preocupar tanto em ser analisado, porque você está tentando adquirir experiência e interiorizar essa experiência, e talvez usá-la mais tarde. Ou talvez não.”.