Há três anos atrás, Adam Driver era um ex-marinheiro com pouco mais que um diploma da Juilliard e um papel na série Law & Order para iniciar a sua carreira como ator. Depois, ele chegou na série Girls. Atraentemente intenso e irresistivelmente estranho, ele não é o que ninguém chamaria de ‘próximo Brad Pitt’. Agora, de repente, Hollywood aposta que ele é algo melhor do que isso: a cura para o padrão de ‘homem convencional’ da sua geração.

TEXTO FONTE: QG
TRADUÇÃO POR: Cíntia Alves

“Eu acho que é bom viver uma vida artística. Eu gosto de prezar pelo significado de tudo aquilo que faço”. Adam Driver para a QG, 2014.

“Isso é irado!”, diz Adam Driver ao ver o rosto sereno da Estátua da Liberdade. Sobrevoamos ao redor dela por um tempo, observando os rastros de turistas que se apressam, como formigas, sob a saia da Senhora da Liberdade. O ar é suave e limpo – exatamente como nosso piloto de helicóptero prometeu. Então: “Merda!”. Driver diz, enquanto a máquina treme e mergulha, depois, brincando, levanta os braços como se estivesse se preparando para um potencial desastre. A rajada de vento dura, aproximadamente, dois segundos. O piloto olha de volta de maneira cômica para este estranho homem alto com a aparência ligeiramente familiar. Driver empurra para trás o seu cabelo comprido – o estilo indie-rock, do qual pode não ser tanto o dele, mas o do personagem que ele interpreta em Girls, da HBO – e acena com a cabeça. “Estou feliz que eles nos deram essas mochilinhas”, brincou, dando tapinhas no colete salva-vidas.

Não há muitas coisas que Adam Driver teme e, certamente, uma viagem de helicóptero turístico, também não é uma delas. “Nós voamos de helicóptero no exército”, disse-me ele, na pista. “Também os temos usado muito nesse filme em que eu estou”. Driver soou um pouco constrangido, como se estar em um filme fosse muito menos legal do que ser um fuzileiro naval. Mas foi, afinal, sua segunda opção de carreira.

Hoje em dia, é raro encontrar um talento emergente de Hollywood que também seja um veterano – talvez, mas não os militares atuais. Mas, antes de Driver se tornar a estrela de um programa chamado Sackler no Brooklyn, ele serviu nas forças armadas. Mais especificamente, ele era “a porra de um soldado que foi para Juilliard“, como disse um diretor, nesse tom de curiosidade e temor que Driver tende a inspirar.

Os arcos do helicóptero pairam sobre a ponte do Brooklyn. “Ali está o meu apartamento”, aponta. Ele soa um pouco melancólico, provavelmente porque ultimamente ele não tem estado muito em casa. Nos últimos dois anos, Driver vive em meio a uma transformação, de estrela mais inusitada de um programa de TV cult para ser “provavelmente um dos atores mais requisitados”, como diz o diretor Shawn Levy, que moveu o céu e a terra – dentro dos horários de Jason Bateman e Tina Fey – para que Driver estivesse no elenco, no papel do irmão mais novo perpetuamente adolescente em Sete Dias sem Fim, deste mês. O filme é o primeiro de uma verdadeira avalanche de filmes de destaque que Driver aparecerá em breve, entre eles o Midnight Special, de Jeff Nichols, Enquanto Somos Jovens, de Noah Baumbach, e Silêncio, de Martin Scorsese.

Como uma banda maneira, ele foi arrancado do moderno Brooklyn e está no processo de ser totalmente mainstream, embora ainda mantenha sua credibilidade: ontem à noite, ele esteve acordado até tarde filmando cenas para a quarta temporada de Girls, mesmo que hoje ele esteja partindo para o set londrino para o último episódio daquele blockbuster dos blockbusters chamado Star Wars. Estou olhando para ele, girando o pescoço em direção à janela do helicóptero; esse cara quieto, um pouco pateta, cujo pomo de Adão, de perfil, se destaca tanto quanto seu nariz, e Driver não parece ser a estrela de cinema mais comum do mundo. Mas “este garoto”, como chama Levy, com grifo meu, “vai ser um dos atores mais formidáveis de sua geração”.

“Isso é legal da parte de Shawn”, diz Driver sobre o comentário de Levy. “Ele é o tipo de pessoa que acredita que as coisas vão acabar bem. Ao contrário de mim, que acredito que as coisas vão dar merda a qualquer momento”.

Mais ou menos uma semana antes de nossa viagem de helicóptero, me encontrei com Adam Driver para almoçar em Manhattan. Desde o momento em que entramos, ficou claro que o lugar, com suas toalhas de mesa brancas e garçons excessivamente atenciosos, ainda soava como se tudo estivesse errado para Driver, sua sensibilidade, bem como seu tamanho – não que Adam Driver, um educado midwestern, alguma vez reclamasse. Usando jeans e uma camiseta, ele dobrou seu corpo de 1,80m em uma das cadeiras de espuma, pediu um bife mal passado, e nem pestanejou quando chegou coberto de flores comestíveis. “Meu plano era poder ganhar a vida como ator”, contou. “E então todo o resto apenas…” – ele se move com uma de suas mãos e quase bate num cântaro de água ao alcance de um garçom à espreita. “Oh não!”, exclamou, curvando seus ombros largos para frente de vergonha, como se ele fosse o Incrível Hulk e tivesse acabado de ficar sem suas roupas em público. Essa é uma espécie de imagem adequada para mostrar o que aconteceu com Driver. Ele explodiu como o adorável pervertido Adam Sackler, aparecendo parcialmente e, às vezes, totalmente nu na tela, em Girls, interpretando o namorado da personagem de Lena Dunham, chamando imediatamente a atenção.

É difícil dizer o que era mais atraente nele: talvez seu rosto, com todos os seus traços diferentes, como uma escultura da Ilha de Páscoa; ou talvez seu corpo incongruentemente musculoso, que parecia conter quantidades iguais de intensidade de tremores e graça selvagem; ou poderia ser a maneira como ele falava, com força mas sempre com muito sentimento que, de alguma forma, o tornava cativante, mesmo quando contava fantasias para a personagem de Dunham enquanto fazia uma cena erótica: “Você é uma drogada e tem apenas 11 anos e teve a porra de uma lancheira de Cabbage Patch. Você é uma put* suja, e eu vou te mandar para casa para seus pais coberta de esperma.”.

“Para mim, Girls trouxe esse tipo de ator, totalmente novo e surpreendente”, diz Levy, que veio do seu encontro com Driver, soando como alguém que está caidinho: “a maneira como ele se move, fala, come, navega pelo mundo”, ele suspira, “é realmente autêntico. Adam é um homão da porra”.

Numa época em que quase todas as indústrias estão tentando comercializar a autenticidade – até mesmo um hambúrguer artesanal do McDonald’s -, Hollywood tem se atrasado. Para Levy e outros, Driver é uma correção de curso bem-vinda do desfile dos tipos Brad Pitt de olhos azuis (assim como seus Chris Hemsworths, seus Chris Pines). Seu físico é comparável ao dos heróis de ação de hoje, mas por baixo de seu peitoral, existe a ideia de um cérebro, um coração, uma alma. A intensidade eletrizante de Adam Driver e sua história intrigante sugerem que esse é um homem que já viu muitas coisas.

“Ele é uma pessoa real”, diz Noah Baumbach.

Adam Driver, uma pessoa de verdade, cresceu na cidade de Mishawaka, Indiana. Sua família era de batistas devotos – seu padrasto era um pastor -, embora Driver fosse um pouco rebelde. Ele cantava no coral, mas também dirigia um clube de luta, onde ele e seus amigos batiam uns nos outros em um campo atrás de um salão de banquetes, que hospedava casamentos e chuveiros de bebês. “Podemos apenas…”, ele interjeita apologeticamente quando começo a perguntar sobre o que seus pais sentem a respeito do caminho que ele escolheu, “se possível, posso pular as coisas dos pais?”. Ele não quer reabrir nenhuma ferida familiar. “Temos opiniões diferentes sobre o mundo”, explica Driver. “Eles têm a vida deles; eu tenho a minha”. Ele não lhes falou sobre Girls até depois da segunda temporada. “O que eu ia dizer a eles?”, diz ele, rindo. “Que eu me masturbava no peito de uma garota?”.

Os pais de Adam Driver não sabiam muito sobre sua atuação no ensino médio, – não que isso fosse importante. Estar em uma produção de Oklahoma! parecia apenas uma boa maneira de conhecer garotas. Mas é indicativo de sua tendência para extremos que, uma vez que ele começou a considerar isso como uma carreira, ele viu apenas dois caminhos disponíveis. “Era South Bend Civic Theatre“, diz ele com desagrado, “ou Juilliard“. Ele se candidatou à Julliard e não entrou. E, por um tempo, foi só isso.

Em 11 de setembro de 2001, Adam Driver tinha quase 18 anos de idade, vivendo em um apartamento nos fundos da casa de seus pais e “não fazia porra nenhuma”, – palavras dele. Na onda de patriotismo que seguiu devido aos ataques terroristas, ele decidiu se alistar nas forças armadas. “Parecia apenas uma coisa foda a se fazer”, diz Driver, “ir e atirar com metralhadoras, e servir seu país”, juntamente com “não há nada para mim aqui, não há nada que me prenda aqui; não há nada que me impeça de ir”.

Ele foi enviado para Camp Pendleton, na Califórnia, mas nunca chegou a ir para a guerra. Após dois anos estando nas forças armadas, Driver quebrou o esterno em uma bicicleta de montanha capenga e, logo depois, teve dispensa médica. Esse é um resultado que ainda “o martiriza para caralho”, segundo ele. “Não poder estar com aquelas pessoas com quem eu estava treinando era… doloroso”.

Driver se mudou de volta para Indiana, mas estava inquieto e deprimido. “Eu queria um desafio”, contou. Seus pensamentos foram novamente para Juilliard. “O Corpo de Fuzileiros Navais deveria ser a coisa mais dura e rigorosa. E Juilliard, igualmente, foi muito dura. Obviamente, são apostas bem distintas”, continua. “Você tem o risco de ser baleado ou morto em um e apenas envergonhado no outro. Eu pensei: ‘Vai ser moleza!’.” Ele estava trabalhando como segurança em um armazém em Mishawaka quando soube que tinha sido aceito.

Para tornar a ida à faculdade em Nova York um desafio ainda maior, Adam Driver elaborou uma rotina militarista para seu crescimento pessoal e intelectual. “Eu queria torná-la uma experiência extrema”, falou. Para ficar em forma, ele corria de seu apartamento no Queens até o campus da faculdade, em Manhattan. Driver, muitas vezes, começava seu dia comendo seis ovos e, mais tarde, preparava e comia uma galinha inteira. Também, passava as noites assistindo a filmes clássicos ou na biblioteca lendo peças de teatro. Como ele tinha sido um péssimo aluno e cresceu protegido de arte e música secular, “eu sentia que estava atrasado”, relatou o ator.

Para a maioria dos seus colegas de classe, ele era esquisito. Mas, Driver também não era muito paciente com eles. “Acho que ele pensava que outras pessoas não eram tão comprometidas”, disse Richard Feldman, um professor da Juilliard. “Fiz muita gente chorar”, conta Adam Driver, com pesar. Nesse mesmo tempo, ele estava se afastando de seus amigos fuzileiros navais. “Nós todos nos reunimos no Texas; um amigo nosso havia falecido e eu estava tentando explicar a eles o que estava fazendo na Juilliard. Então, eu disse: ‘Sim, nós usamos pijama, e falamos sobre nossas cores interiores, e houve este exercício onde todos nós demos à luz a nós mesmos…’. E eles estavam tipo: ‘Que porra você está fazendo?’.”

“Lá está a Governors Island“, diz Driver, apontando do helicóptero, contando uma anedota sobre um amigo da época da Juilliard que passou uma tarde suando em trajes de época batendo manteiga para um espetáculo de recriação histórica. Embora o primeiro grande trabalho de reencenação de Driver fosse ao lado de Daniel Day-Lewis em Lincoln, o sucesso não foi exatamente imediato para ele nos anos após a faculdade. Ele fez algumas peças Off-Broadway, o episódio obrigatório de Law & Order e um monte de filmes dos quais ninguém se lembra. Depois de Lincoln veio um pequeno – mas encantador – papel no Inside Llewyn Davis dos irmãos Coen, e claro, Girls, e antes que ele percebesse, ele estava recebendo ligações de Martin Scorsese e posando sem camisa com uma ovelha viva cobrindo seus ombros para a Vogue.

“É muito bom”, diz ele, como se estivesse envergonhado, tanto por seu sucesso, quanto por reclamar dele. “Mas, de certa forma, não me sinto como se tivesse realmente feito alguma coisa. Como se não se sentisse merecido”.

Adam Driver valoriza muito coisas que exigem muito esforço. É uma das razões pelas quais ele odeia a Internet. “Não dá para estar, tipo, em um pedestal ou qualquer coisa do tipo”, ele diz de forma direta “Mas todos estão tão acostumados a ter tudo imediatamente, e isso parece não quer dizer que as coisas sejam boas, sabe? As coisas ali são medíocres. Não há realmente muito trabalho pesado envolvido”.

Driver aplica a disciplina adquirida no exército a tudo o que faz, desde os detalhes cotidianos da existência até seu trabalho. “Acho que é bom viver uma vida artística”, diz ele, bebericando uma batida cor-de-rosa em um café do Brooklyn em que aterrissamos com segurança depois de nosso passeio de helicóptero. “Eu gosto de prezar pelo significado de tudo aquilo o que faço.” Para alcançar algo que valha a pena, é preciso experimentar um certo sofrimento: “Quanto mais masoquista, mais atraente”.

Quando se trata de seu trabalho, Driver pode ficar um pouco obsessivo – e é por isso que ele nunca se assiste. O ator decidiu parar depois que Lena Dunham o convidou para ir ao apartamento de seus pais em Tribeca para assistir ao episódio piloto de Girls. “Eu apenas vi todas as coisas que eu queria mudar ou fazer melhor”, expõe. “E fiquei preocupado que, a partir de então, eu estaria apenas pensando em como seria ao contrário do que está acontecendo, e isso não é uma boa maneira de trabalhar, porque depois de um tempo torna-se um processo um pouco masturbatório”.

Adam Driver sabe que falar sobre atuação é uma boa maneira de soar como “um pretensioso de merda”, como ele chama. Mas, tem ideias grandiosas sobre The Craft. “Ele é um desses atores…”, diz Baumbach, que o observou no set de Enquanto Somos Jovens, “… como se fosse o próprio personagem; você não consegue tirá-lo de lá. Ninguém conseguia olhá-lo nos olhos…”. Ele não quer dizer olhe-lá-está-o-proxímo-Christian-Bale. “Ele não é cismado”, diz Baumbach. “Mas isso é importante para ele”.

Quando estava na Juilliard, em uma de suas brincadeiras de aprendizagem, Adam Driver encontrou Ajax, a tragédia grega do século V sobre um soldado que, desprezado por seus superiores, fica cego de ódio e decide matar todos eles. “É uma peça sobre alguém que sofre de estresse pós-traumático”, conta. Na época, Driver sofria de algo parecido com estresse pós-traumático em forma da culpa que sentia ao deixar os militares. “Tipo, eu larguei a bola e saí e depois me tornei a porra de um ator”, expressou. Essa peça lhe deu uma ideia de como conciliar esses sentimentos e dar algum significado ao que ele estava fazendo na Juilliard.

Com a ajuda da instituição e de Joanne Tucker, sua colega de classe que virou namorada, Driver fundou a Arts in the Armed Forces, uma organização que ele ainda dirige, na qual emprega atores para atuar em bases militares. Segundo Driver, quando ele estava servindo – ao exército -, “eles estavam sempre tentando trazer, tipo, as líderes de torcida de Dallas. E eu amo as líderes de torcida. Eu podia assisti-las o dia inteiro. Mas, sentia que os militares podiam lidar com algo um pouco mais provocante”. Eles decidiram fazer monólogos simples que fossem relacionados à experiência humana. “Quando penso em minha experiência militar, não penso nos exercícios, na disciplina e na dor”, ele continua: “penso nesses momentos, tipo, realmente íntimos, humanos, de pessoas que querem sair sem licença porque sentiram falta de suas esposas, ou porque alguém morreu e não conseguem lidar com isso. E era isso que eu queria mostrar.” Sendo assim, após a primeira apresentação do grupo em seu antigo campo de treinamento, Driver recebeu mais do que alguns tapinhas nas costas das tropas. “Eles ficaram tipo: ‘eu amei para caralho, mano’”, contou ele, fazendo um timbre grave na voz.

Certa vez, alguém descreveu a sua atuação como um serviço, e isso o marcou muito. “Aquilo fez sentido para mim”, diz ele. Mesmo agora, “no meio de toda essa merda… você sabe, tirar fotos com uma ovelha no meu ombro”, ele ainda se sente assim. “É o seguinte…”, diz, e faz uma pausa para dar uma dentada num hambúrguer. “(…) A vida é uma merda, e todos nós vamos morrer. Você tem amigos, e eles morrem. Você tem uma doença, alguém de quem você gosta tem uma doença, as pessoas de Wall Street estão enganando a todos, os pobres ficam mais pobres, os ricos ficam mais ricos. Estamos rodeados disso o tempo inteiro. Não entendemos o porquê estamos aqui; ninguém está nos dando uma resposta, a religião é vaga, seus pais não podem ajudar porque eles são apenas pessoas. E tudo isso é terrível, não há significado para nada. Que coisa terrível de se processar! Todo dia! E depois você vai dormir.

Mas então, às vezes”, fala, inclinando-se para frente, “as coisas podem se suspender por um minuto, e então, de vez em quando, há alguma coisa com a qual você encontra uma conexão”.

Pode não ser o mesmo que dissipar terroristas, mas é alguma coisa. “É uma boa e dura responsabilidade”, afirma, enrugando seu guardanapo. “Talvez isso seja autocomplacente da minha parte, de pensar que posso realmente fazer alguma coisa. Mas o potencial está lá”.

Adam Driver não é nada se não estiver diante de um desafio. Agora ele está de pé. Tem que ir ao encontro de Joanne, que se junta a ele enquanto ele volta para Star Wars, em Londres. No verão passado, eles se casaram. Os pais de Driver estavam no casamento, circulando entre o povo Juilliard. Ele ainda não fala com eles sobre o que faz, mas sabe que eles estão orgulhosos. O feedback de seus amigos fuzileiros navais tem sido um pouco mais direto. “Eles disseram: ‘Então, eu vi a porra da sua série”, ele conta em tom de voz máscula, “e você fica muito nu. Então, está bem. Me avise quando sair mais coisas na TV’.”

Esta história apareceu na edição de setembro de 2014 na revista QG. Esta é apenas uma tradução. Plágio é crime!